O problema da representatividade de diferentes raças e tipos de beleza.

     Caros leitores, mais um problema que me preocupa: a falta de representatividade de diferentes tipos de beleza e raças na televisão e no cinema, em termos de imagem e também de histórias.

   Quando pensamos nos requisitos a preencher para ser uma atriz ou um ator de sucesso, dizemos de imediato: talento, boa imagem, beleza, carisma, etc. E quando nos tentamos lembrar de algumas das caras conhecidas da indústria (acredito que isto aconteça à maioria de nós) vem-nos logo à mente Jennifer Lawrence, Margot Robbie, Meryl Streep, Gal Gadot, Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, entre tantas outras celebridades que reúnem aqueles e outros requisitos para terem o estatuto que têm e que nos habituamos a ver nos programas de televisão, nas red carpets e no grande ecrã. Estas pessoas têm todo o mérito e merecem toda a nossa admiração pelas performances que apresentam ao longo das suas carreiras… mas a questão que se levanta é: até que ponto é que a sua beleza e/ou a sua cor de pele são fatores decisivos na sua seleção para certos papéis? Ou seja, até que ponto são negadas oportunidades a pessoas que (não obstante o talento, igual ou maior do que algumas aclamadas atrizes da atualidade) não correspondem a um qualquer padrão de beleza prevalecente num determinado contexto espacio-temporal?

    Esta problemática pareceu-me um importante objeto de discussão e discussão quando li um artigo online da W Magazine em que a atriz Maisie Williams (da série “Game of Thrones”) revelava algumas preocupações em relação ao futuro, por ter noção de que a indústria em que se insere é muito superficial e de que há certos papéis que nunca poderá desempenhar por causa do seu aspeto.

1024full-maisie-williams

“It’s only now I’m starting to realize the characters that are available to me because of the way I look and the characters that aren’t available to me (…) It’s a very shallow industry. And I don’t look like someone who is cast in roles that are, well, sexualized. Don’t get me wrong, I’m completely in awe of Hollywood’s leading ladies. I love looking at those totally jaw-droppingly beautiful women. But I think it’s sad that you only get to see one type of beautiful on screen.”

   Partilho o mesmo sentimento que a atriz: é excelente ligar a televisão ou ir ao cinema e poder observar pessoas com uma beleza hipnotizante… mas não tenho dúvidas de que seria igualmente satisfatório poder ver como protagonista uma mulher sem legs for days/ com uma figura física mais semelhante à das mulheres anónimas que não têm tempo ou oportunidade para ir ao ginásio/sem cabelos impecavelmente tratados a toda a hora… Ou mais mulheres negras, chinesas, coreanas, …, latinas e indianas, cuja personagem não tenha sempre uma identificação racial evidente a acompanhá-la (talvez como acontece com a maioria das personagens pensadas para pessoas brancas?)! Se pensarem bem, podem corroborar a seguinte tese: certos atores, por serem mais pesados, apenas têm trabalho se existir uma personagem com problemas de peso no filme em que querem entrar, assim como acontece com atores indianos que só são contratados se na trama houver um indiano em ação ou com as pessoas  “não tão bonitas” (isto é, aquelas que não se enquadram nos limites de beleza que a sociedade impõe), que acabam sempre por ser “a melhor amiga de…” ou “o nerd”, mas nunca o/a herói/heroína. Estes são apenas alguns exemplos. Mas é certo que o espaço reservado a estas pessoas é muito reduzido – poucos são os lugares disponíveis para elas num meio tão saturado de caras bonitas com milhares de seguidores nas redes sociais e potencial para mais.

   Sinto que atualmente tem havido alguma atenuação destas disparidades, até porque os filmes e programas de TV com elencos mais diversificados têm tendência para ser muito bem-sucedidos (veja-se o caso das séries This Is Us e How To Get Away With Murder, por exemplo) – em grande parte porque todas as camadas e grupos sociais se revêm na história de Annalise negra, de um Connor gay, de uma Rebecca com filhos para educar ou de uma Kate com excesso de peso.

 No entanto, há muito trabalho pela frente, muitas vidas para (re)criar e, consequentemente, mudar. Porque é que ainda é necessário recorrer a tantas categorizações? Como é que na indústria da representação hodierna há, ironicamente, tão pouca representatividade e inclusão?

 Penso que é algo em que devem refletir. Afinal, todos devem ter as mesmas oportunidades de desenvolver e demonstrar o seu talento, independentemente das formas e da pele que os revestem.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s